11. Lendas do Grande Porto

Docente: Dr. Joel Cleto (ISAG, Porto Canal)
Horário: 6ª. Feira, às 10h00
Início: 13 de outubro de 2017

 

Programa

 

O Património e a realidade histórica que emerge do fabuloso

A cidade do Porto e a sua área metropolitana servem de cenário a um conjunto verdadeiramente notável de lendas. Alicerçadas em fundos pré-históricos ou da época do Domínio romano (como a do Rio do Esquecimento) ou bem mais recentes (como a de D. Pedro IV na taberna de Pedras Rubras), e mesmo contemporâneas (de que é exemplo a das madeiras utilizadas por Siza Vieira na edificação do Salão de Chá da Boa Nova), estas expressões do Património Imaterial da região permitem uma interessante abordagem (por vezes quase única) à sua História, até porque – como já dizia António Aleixo –

“A mentira para ser segura

E atingir profundidade

Tem que trazer à mistura

Qualquer coisa de verdade”

De facto, uma análise crítica às lendas, expurgando-as do que têm de fabuloso, mas percebendo também o que esse mundo efabulado representa, permite-nos, afinal, interessantes e não raras vezes importantes aproximações ao nosso Passado. Por vezes as lendas apontam mesmo preciosas “pistas” para investigações históricas e arqueológicas.

Chamando a atenção para a ameaça que paira sobre este tipo de Património (uma vez que cada vez menos pais e avós asseguram a transmissão intergeracional destas narrativas), nesta cadeira os alunos são igualmente desafiados a uma abordagem participativa, podendo – e devendo – colaborar através da narração e registo de lendas que de algum modo se cruzaram na sua própria formação pessoal.

O desenvolvimento do programa da cadeira será feito através de uma abordagem “cronológica”, tanto quanto permitem estas narrativas tradicionais. Serão, deste modo, abordadas lendas que se relacionam

  • com as práticas mágicas e de fertilidade associadas a monumentos do Neolítico e a outras pedras “com virtudes”;
  • com os castros;
  • com o Domínio romano e o início da cristianização (incluindo a lenda de Cayo Carpo e a origem da associação da vieira à devoção e Caminhos de Santiago);
  • com os povos “bárbaros”;
  • com a invasão e domínio muçulmano (que estão longe de se esgotar nas lendas das mouras que, de resto, são transversais a muitas épocas);
  • com a “Reconquista” cristã e a formação da nacionalidade (de que é um mero exemplo a saga constituída pelas lendas que explicam os topónimos “Batalha”, “Campanhã”, “Contumil”, “Rio Tinto” e “Montezelo”);
  • com o impacto da Peste Negra e de outras doenças durante a Idade Média;
  • com a conquista de Ceuta (e a incontornável lenda dos “tripeiros”) e a Expansão;
  • com a resistência ao domínio filipino (mas uma época que se relaciona também, do ponto de vista lendário, com a divulgação de cultos marianos como o de Nossa Senhora del Pilar ou de Guadalupe);
  • com a abundância de riquezas que chegam do Brasil;
  • com as invasões francesas;
  • com as guerras liberais (e há várias lendas associadas ao Cerco do Porto)
  • com acontecimentos mais contemporâneos.

ESTRATÉGIA LECTIVA: sessões em sala de aula intercaladas com sessões de visita a monumentos, museus e espaços patrimoniais da área metropolitana do Porto.